A floresta em pedaços: estudo alerta para isolamento crescente da vegetação brasileira
MapBiomas aponta mais fragmentos de mata nativa, porém menores, entre 1986 e 2024. Conectar ecossistemas é parte essencial da agenda climática.
Mais ilhas verdes, menos continuidade
Análise do módulo Degradação do MapBiomas, divulgada em 29 de outubro, mostra que a quantidade de fragmentos de vegetação nativa isolados por mudanças no uso da terra cresceu de aproximadamente 2,35 milhões em 1986 para 3,41 milhões em 2024. Ao mesmo tempo, a área média desses fragmentos caiu de cerca de 287 para 163 hectares, segundo dados apresentados pela Agência Brasil.
O dado sobre área média não deve ser confundido com uma redução idêntica da cobertura vegetal total. O problema é a fragmentação: rodovias, lavouras, pastos e cidades separam porções de mata e dificultam a circulação de fauna e sementes.
Preservar é também reconectar
A Mata Atlântica reúne o maior número de trechos fragmentados no levantamento, seguida pelo Cerrado. Corredores ecológicos, recuperação de áreas degradadas e proteção do entorno das unidades de conservação são formas de evitar que áreas verdes sobrevivam como ilhas cada vez mais isoladas.
Uma política ambiental progressista precisa combinar fiscalização de desmatamento, planejamento territorial, financiamento para restauração e participação de comunidades locais. É uma agenda concreta de biodiversidade, água, produção sustentável e qualidade de vida.
Documentos e fontes desta reportagem
Texto autoral com apuração em documentos públicos. Os links permitem conferir os fatos apresentados.


