Um mundo em disputa: entre a barbárie do imperialismo em declínio e a construção de uma nova ordem multipolar
Do genocídio na Palestina às pressões sobre a América Latina, crise do capitalismo central acelera a busca do Sul Global e dos BRICS por soberania econômica.

Foto oficial dos líderes do BRICS em Joanesburgo, África do Sul, em 23 de agosto de 2023. Registro de arquivo, sem alterações; não retrata reunião de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR — Lula Oficial, CC BY-SA 4.0. Fonte da imagem ↗ · Licença de uso ↗
Análise editorial da edição de 6 de novembro de 2026. Texto-base enviado à redação, com revisão factual e fontes indicadas. As propostas e interpretações expressam a posição do Lado Coletivo.
Soberania e cooperação em disputa
Quem acompanha o noticiário internacional apenas pelas agências de imprensa de Nova York, Londres ou Paris recebe uma visão de mundo dividida entre "democracias ocidentais civilizadas" e "ameaças externas". Mas para os trabalhadores da América Latina, da África e da Ásia, a realidade vivida na pele conta outra história: o sistema imperialista liderado pelos Estados Unidos e seus aliados europeus entrou em uma crise profunda de hegemonia e, para tentar manter seus privilégios, recorre cada vez mais à guerra, às sanções econômicas e ao saque de recursos naturais.
Na Palestina, a crítica à ordem internacional encontra um registro documental grave. Em relatório de setembro de 2025, a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU concluiu que autoridades e forças israelenses cometeram genocídio contra palestinos em Gaza. Trata-se da conclusão dessa comissão, não de uma sentença definitiva da Corte Internacional de Justiça. A destruição e as violações documentadas tornam incontornável cobrar proteção da população civil e responsabilização. Para este jornal, os direitos humanos perdem credibilidade quando sua defesa é subordinada a alianças militares e interesses geopolíticos.
Na América Latina, a disputa pela soberania passa pelo controle de recursos naturais e pela capacidade de decidir políticas industriais sem submissão externa. Lítio, petróleo, água e minerais estratégicos têm valor econômico e geopolítico. A perspectiva anti-imperialista deste texto defende que sua exploração responda às necessidades dos povos e ao respeito aos territórios. Atribuições específicas de financiamento estrangeiro a partidos ou de interferência em governos exigem provas próprias; não podem ser presumidas para toda a região.
Na contramão da submissão, a cooperação entre países do Sul Global abre possibilidades. Na declaração da Cúpula do BRICS de julho de 2025, no Rio, os participantes reafirmaram o multilateralismo e o direito internacional. A ampliação do grupo não significa que ele reúna todos os países do Sul Global, nem que seus governos tenham um único projeto social. Para a classe trabalhadora, o critério é o resultado da cooperação: financiamento, tecnologia, emprego e capacidade de decisão, e não apenas a troca de discursos diplomáticos.
A experiência chinesa mostra a dimensão das alternativas em disputa. Um estudo conjunto do Banco Mundial e de instituições chinesas, publicado em 2022, estimou que cerca de 800 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema em quatro décadas, usando a linha internacional de US$ 1,90 por dia então adotada. O relatório associa esse processo à transformação econômica e a políticas direcionadas, sem reduzir a explicação a um fator único. Na leitura deste jornal, planejamento, investimento público e capacidade produtiva precisam fazer parte do debate brasileiro. Cooperação financeira e comércio em moedas locais podem ampliar opções, mas não equivalem ao fim do dólar ou da dependência.
Para a classe trabalhadora brasileira, a disputa geopolítica mundial não é um tema distante de diplomatas: ela define se o Brasil será um mero exportador de soja e minério bruto com salários de fome ou uma nação soberana, industrializada e integrada aos povos do Sul Global na luta por um mundo livre da exploração imperialista.
Direto pro Zap — em 1 minuto
• A análise defende soberania, cooperação e proteção dos povos.
• A conclusão sobre genocídio em Gaza é atribuída à comissão de inquérito da ONU.
• BRICS ampliam espaços de cooperação, mas não constituem um projeto social único.
Documentos e fontes desta reportagem
Texto autoral com apuração em documentos públicos. Os links permitem conferir os fatos apresentados.


