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Democracia / Notícia e contexto

189 jornalistas mortos em dois anos: a liberdade de imprensa paga um preço intolerável

Relatório divulgado nesta segunda pela Unesco aponta 127 mortes em zonas de conflito e impunidade persistente. Proteger quem investiga o poder é proteger o direito à informação.

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Uma tragédia documentada

Levantamento divulgado pela Unesco nesta segunda-feira, 2 de novembro, registra 189 assassinatos de jornalistas em 2024 e 2025. Segundo a Agência Brasil, 127 vítimas morreram em países considerados zonas de conflito — cerca de 67% do total. A organização apontou um aumento de 24% em comparação com o biênio anterior.

Os números descrevem assassinatos documentados, não a totalidade das ameaças contra a imprensa. Sequestro, prisão arbitrária, assédio digital e intimidação também limitam o trabalho jornalístico, muitas vezes sem aparecer no balanço de mortes.

O perigo da impunidade

A Unesco informa que, desde 2006, apenas cerca de 14% dos assassinatos de jornalistas incluídos em seu levantamento foram solucionados pelo sistema de Justiça. Em alguns lugares, a ameaça de violência converte a censura em silêncio permanente: investigações deixam de ser feitas porque quem poderia realizá-las corre risco.

O estudo também menciona um caso brasileiro no biênio: o radialista Luisinho Costa, assassinado no Pará em maio de 2025. A polícia informou que a investigação foi concluída e remetida ao Judiciário, com quatro pessoas indiciadas. Indiciamento não é condenação.

Liberdade de imprensa não é privilégio de jornalista

A ideia de que agredir repórteres enfraquece apenas uma profissão está errada. A sociedade perde acesso a informações sobre corrupção, conflitos, ambiente e direitos humanos. É por isso que um jornal progressista deve defender a imprensa livre inclusive quando discorda de determinado veículo ou profissional.

Nenhum governo, partido ou grupo econômico deve ser dispensado de perguntas. Sem apuração independente, a crítica ao autoritarismo se torna slogan; com informação verificável, ela se torna instrumento público de controle do poder.

Documentos e fontes desta reportagem

Texto autoral com apuração em documentos públicos. Os links permitem conferir os fatos apresentados.

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Notícia e contexto · Publicação do Lado Coletivo.